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CÓDIGO DAS MINÚCIAS

Em busca de entender os primórdios da consciência biológica o artista usa poesia e semiótica para apresentar pequenos robôs antropomórficos e autômatos que percebem o ambiente através dos seus sensores e responde o mundo concreto com movimentos e sons.

O Código das Minúcias propõem uma Arquitetura para um Ser Artificial Corpóreo, baseada em Semiótica Peirceana e Greimasiana, com o foco específico na formação cognitiva do ser artificial nos estágios "pré-natais" e no período da infância robótica. Usando o Signo de Peirce como modelo básico, o Código apresenta uma base para uma consciência artificial, e cria estratégias para a programação de um sistema sensitivo, classificatório e interpretativo, para seres robóticos corpóreos e singulares.

Com as possibilidades investigativas da Arte, as metodologias da Linguística e da Semiótica, e a realização da Engenharia da Computação, existe uma  potência da otimização da arquitetura de modelos computacionais semióticos já existentes e outras propostas inéditas. O Projeto apresentado exerce função Inter/Trans disciplinar e busca convergir informações de várias áreas do conhecimento flexionando-as pela lente da Poética Artística e gerando soluções alternativas da interação homem-máquina e especificamente em como reconstruímos formalmente, através da ciência, da matemática e da lógica, modelos de Inteligência.

A pesquisa aqui descrita propõe um modelo de interação máquina/mundo baseado em Semiótica e nos estudos da Linguagem, utilizando a lógica dos processos de significação, objetivação e interpretação de estímulos sensórios em uma poética orgânico-maquínica, que serve de partícula de atração aos demais conceitos.

A arquitetura desenvolvida no Código das Minúcias pensa cada momento do processo de percepção fenomênico, a entrada destas informações em pequenos pacotes que serão processados por vários Codlets com funções específicas e que modificam a parte central da Arquitetura: o signo do “Eu”. O Eu relaciona os inputs do mundo ao corpo do Ser, suas relações e respostas, ações e planejamentos, buscando sempre o controle de si mesmo e do espaço próximo (ao redor). 

Desde 2015 venho pesquisando um corpo robótico que pudesse receber um inteligência artificial com capacidade de aprender e criar uma memória. O primeiro projeto foi desenvolvido em janeiro de 2016 na residência artística da Teton Art Lab, depois continuou em múltiplos corpos, pensando o corpo físico e o corpo virtual, seus mecanismos de movimento e o código que os comanda, influenciado pelos estímulos captados em seus sensores. 

Eu construí um corpo que agora espera por uma mente que a anime.

O Código das Minúcias começou a ser pesquisado em paralelo a construção do corpo. Este código é uma arquitetura de inteligência artificial baseada na semiótica de Charles Pierce em um primeiro nível e na semiótica das paixões de Greimas no nível sentimental. O Código também é bio inspirado e apresenta reflexos e instintos corporais como um mamífero.

O Código das Minúcias é o mecanismo que gera as partículas semióticas e descreve como elas são organizadas em memórias narrativas.

O Ser aqui proposto primeiramente busca a energia para existir, sendo esta medida na variável int fome. Para criarmos esta relação de dependência formulamos um LegiSigno primordial que diz: Se int fome do Objeto Corpo for menor que 50%, então executar busca por alimento. busca por alimento por sua vez é uma ação ( modificação) das variáveis controláveis do corpo (outputs) até que o resultado destas posições aponte uma variação positiva da energia (alimentação). O Ser irá salvar as posições das variáveis controláveis em que a energia é recarregada em uma Ação Realizada ligada a Busca de Alimento, assim quando a busca por alimento for ativada novamente a Ação salva será repetida. Se ela se confirmar novamente verdadeira será reforçada na memória com uma variável int recorrência. O Ser é capaz de saber sua posição atual e realizar os movimentos necessários para mudar de posição, independente da posição que ele estiver no espaço. Se o Ser já tem uma fonte de energia conhecida e recorrente e está com mais de 50% de sua bateria cheia ele passa a se preocupar com sua Segurança. Esta é a segunda diretriz: Proteção. Para medir o nível de segurança e garantir a proteção dos seu caminho até a fonte de energia a variável int medo é usada. Esta variável mede quanto confiável é aquele ambiente ou é determinado Objeto. Quanto menos conhecimento do ambiente e dos objetos nele inseridos, e menos recorrência dos Signos presentes no momento, mais a variável medo aumenta. Esta variável está diretamente ligada ao desempenho das Ações a serem executadas pelo corpo. Quanto maior o medo menor a variação de mudanças de posições. Se os objetos e o ambientes forem estáveis e passam a ser recorrentes, o medo vai diminuindo e as ações do corpo melhora de desempenho. Então quanto mais Signos recorrentes no Momento menor o medo do Ser atuar no ambiente. Se o corpo possui energia e está seguro, então o Código irá para sua terceira diretriz: Reprodução. Entendemos reprodução também como Comunicação. Nesta fase o Ser irá explorar o ambiente tentando reforçar signos conhecidos e testar novas variações de posições das variáveis controláveis. O medo irá regular quão novas serão estas variações, já que é mais segura tentar pequenas variações em Ações já conhecidas. Além de ações no ambiente o Ser pode imaginar variações de ações já realizadas e criar hipóteses que podem ser testadas empiricamente em um momento favorável. Estes sonhos podem ser criados durante o carregamento da bateria ou em outra situação que seja impossível o movimento do Corpo.